o sonho da meia-noite
Gott ist tot. Gott bleibt tot. Und wir haben ihn getötet.
-friedrich nietzche
I.
terra a vista!
além das terras devastadas,
além das terras mortas,
além das terras vazias,
e além da decadência,
das pessoas vazias
e de suas faces sem expressão,
de seus pensamentos cruéis
e de sua crenças na condição humana.
longe deste paraíso perdido
jaz a grande floresta do éden,
o vasto campo distópico
longe deste mundo pervertido,
algemado na cama e gritando
por socorro.
demos as mãos, companheiros,
e façamos esta danse macabre,
cantemos as rimas mortas na guerra
e festejamos com o vinho prometido,
o sexo que prometeu nos mostrou
e gastemos a noite rolando a pedra acima, apena para ela cair novamente.
larguemos nossas vontades mundanas
e participemos da caravana celestial,
a que cruza o deserto em busca do o que nos foi prometido.
matemos nossos amigos e pulemos da ponte,
façamos amor com nossas mães e matemos nossos pais,
reinventemos ou morreremos tentando,
atrapalhemos nossa vereda e interrompamos nossa travessia,
recitemos os ancestrais e honremos o estreito de bering,
abandonemos a fazenda de maggie e deixemos de ser escravos,
dancemos sobre nossas covas e oremos para os deuses,
desobedecemos o cosmos e adentremos a madrugada brilhante,
em busca do nosso sonho da meia-noite.
II.
a caravana seguia sobre as cinzas
do reino, entre cactos e areia,
abaixo dos urubus, mas acima dos
ratos.
uma fileira longa e infinita de peregrinos
atravessava o deserto lentamente, enquanto
inalando o cheiro das moscas pousando.
guiados por padres e filósofos, entre dramaturgos
e escritores, entre pensadores e sociólogos,
e entre psicólogos, psiquiatras e malucos,
a multidão anda sob o inferno vivo,
queimado pelo alto deus amarelo
que pune os que tentam fugir
de seu reinado tirânico sob a terra.
não bebem água e não falam
um com o outro,
são indivíduos em busca do
próprio sonho,
preparados para acordarem
do pesadelo contemporâneo,
digno de Shakespeare e digno
de Elliot, digno de Orwell
e digno de Jimbo.
o sonho jazia distante, além
do magnata dourado sob o céu
e além da terra morta.
empurremos a bola para o topo
da montanha e jamais a deixemos
cair novamente.
III.
"estávamos procurando o novo mito
quando encontramos o poço",
ele começou.
"estava no meio do deserto, longe do mundo largado.
chegamos perto e olhamos para baixo:
não conseguimos ver o fundo.
talvez a água que queríamos estava lá em baixo, além das trevas.
talvez o mito que buscávamos estava em seu fundo, além do mistério.
olhamos demais para ele, e ele nos olhou de volta.
nunca saberemos a verdade e fico feliz com isso" ele continuou.
"mas já é hora de irmos: eu para a morte, e vós para viverdes. mas, quem vai para melhor sorte, isso é segredo exceto para d
eus.
vou afundar entre os vermes e espero
conhecer o que procuro:
deus" ele terminou.
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